Governo do Distrito Federal
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7/05/18 às 18h03 - Atualizado em 29/10/18 às 17h28

Saúde de catadores da Estrutural é monitorada em estudo acadêmico

Saúde de catadores da Estrutural é monitorada em estudo acadêmico

Assinatura de termo de cooperação técnica entre governo de Brasília, UnB e Escola Superior de Ciências da Saúde permite acompanhamento de doenças crônicas causadas pela atuação no antigo lixão. Formalização de parceria ocorreu nesta quinta (26), no Palácio do Buriti

 

MARYNA LACERDA, DA AGÊNCIA BRASÍLIA

O acompanhamento de saúde dos catadores de material reciclável do antigo lixão da Estrutural foi reforçado com a assinatura de acordo de cooperação técnica entre o governo de Brasília, a Universidade de Brasília (UnB) e a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs).

A parceria, formalizada nesta quinta-feira (26), permitirá a análise de possíveis alterações provocadas pela atividade laboral. O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, acompanhou a cerimônia, no Palácio do Buriti.

O estudo Água, Ambiente e Saúde: o impacto na condição de vida dos catadores de materiais recicláveis é desenvolvido por professores e estudantes do programa de extensão Pare, Pense, Descarte, do Campus Ceilândia da UnB.

 

Na primeira etapa do projeto, 1.083 catadores foram entrevistados e submetidos a exames de sangue, pesagem e medição de altura. Os materiais foram coletados por estudantes estagiários da Escs na Unidade Básica de Saúde nº 3 da Estrutural.

O monitoramento da saúde dos catadores é um dos desdobramentos dos esforços para a desativação do antigo da lixão da Estrutural, em 20 de janeiro deste ano.

 

A ação integrada de diversos órgãos do Executivo local permite uma mudança na qualidade de vida dos trabalhadores que lá atuaram durante anos, como defendeu o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

 

“Com o levantamento, temos elementos concretos para fortalecer o trabalho da Secretaria de Saúde junto a essas famílias para que elas possam ter uma vida cada vez melhor”, afirmou.

 

Os resultados estabelecem as bases para a definição do perfil dos trabalhadores que atuavam no local. Os dados indicam que:

 

67% dos entrevistados são do sexo feminino e 33%, do masculino

57,6% têm idade entre 31 e 50 anos

87,6% se autodeclararam pretos ou pardos

80% têm até ensino fundamental completo

61,6% são solteiros

63,1% têm dois filhos ou mais

75,4% exercem a função há mais de seis anos e, desse total, 20% atuam há mais de 16 anos na atividade

67% afirmaram já ter sofrido acidente no local de trabalho

Em relação às testagens, os pesquisadores aplicaram os seguintes exames:

 

71,8% para sífilis

80,3% para HIV

87,3% para hepatite viral tipo A

87,9% para hepatite viral tipo B

87,2% para hepatite viral tipo C

Estudo subsidia acompanhamento da saúde de catadores

A partir dos exames, será possível fazer o diagnóstico individualizado de cada participante e, então, tratamento específico para cada caso.

 

A segunda etapa do projeto partirá para uma avaliação qualitativa dos efeitos diretos do trabalho no lixão no aparecimento de doenças crônicas.

 

O fim das atividades foi construído com a participação de todos os envolvidos, como lembrou o governador. “Conseguimos fazer esse processo, normalmente conflituoso em todo o Brasil, em um ambiente de diálogo”, avaliou o governador.

 

O processo de adaptação, segundo ele, foi bastante difícil. “Muitas cooperativas e muitos catadores passaram dificuldades no início — nós também. Mas hoje a situação é muito melhor do que antes”, observou.

 

Levantamento é inédito

Acompanhar a evolução da saúde de quem atuou no lixão da Estrutural e hoje trabalha em condições salubres é referência para a gestão pública da área, como lembrou o  secretário da pasta, Humberto Fonseca.

“Produzir conhecimento é sempre muito gratificante. [O estudo] que vai fazer uma diferença tremenda no conhecimento de saúde no mundo”, disse ele.

 

O trabalho acadêmico em áreas com maior vulnerabilidade do Distrito Federal incentiva a ampliação dos horizontes das instituições de ensino.

 

Essa é a percepção da reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão. “Esse projeto mostra a importância da interdisciplinaridade. Temos que atuar fora das caixinhas’”, comparou.

 

Não se tem registro de outras pesquisas com esse mote em outros países, de acordo com a professora de Saúde Coletiva, da Faculdade de Ceilândia da UnB, Carla Pintas. “A pesquisa é inédita no mundo. É única desse nível e com esse impacto. Estamos publicando um protocolo do estudo”, disse.

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